Profissional de segurança: desafios do futuro próximo e de hoje para desenvolver a cultura de segurança.
- Eduardo Machado Homem
- 15 de jan. de 2024
- 3 min de leitura

Falar sobre o profissional do futuro em SST e os desafios para desenvolver a cultura de segurança, ou qualquer outro tema, é um tremendo risco. Ou você vai abordar o senso comum sobre habilidades e competências comportamentais que qualquer busca no Google ou ChatGPT pode lhe oferecer ou vai prever coisas que não se concretizarão.
Houve uma época em que o profissional do futuro era aquele que tinha um MBA numa instituição renomada. Num passado mais remoto, o profissional do futuro era aquele que dominava pacote Office. O profissional do futuro muda tão rápido quanto o próprio tempo.
Portanto, creio que seja mais proveitoso, ao invés de falar sobre como deve ser o profissional do futuro em SST, falar sobre os desafios que se avizinham.
A tecnologia não vem apenas do mundo digital, de pesquisas ou da indústria, mas do pensamento sistemático sobre técnicas, processos e métodos que podem ser usados para fazer o que fazemos hoje de maneira diferente, com melhores resultados e de maneira mais eficaz. A sua forma de treinar pessoas, abordar trabalhadores em situação de risco ou de liderar uma análise de causas de um acidente, por exemplo, é uma tecnologia pessoal que você pode ensinar aos outros ou não.
Nas escolas, universidades e empresas ensina-se muito sobre o que devemos pensar e muitíssimo pouco sobre como devemos pensar. A forma com que pensamos influencia diretamente nossa capacidade de criar ou de apreciar, analisar e avaliar problemas. Se nosso pensamento estiver enrijecido com teorias e conceitos igualmente rígidos, é improvável que consigamos ir além do que previamente conhecemos como solução. Para pensar em soluções que ainda não foram pensadas, de problemas que nunca existiram antes, é vital que nos libertemos de preconceitos antigos ou novos.
No nosso mundo atual, o prazo de validade das habilidades técnicas é extremamente curto devido à rapidez com que as coisas acontecem e mudam. Todo e qualquer conhecimento e ferramenta associado ao novo ou classificado como 2.0 hoje, vai se tornar obsoleto e retrógrado amanhã.
No entanto, virtudes associadas ao conhecimento, respeito, honestidade, paciência, perseverança, tolerância, cuidado com o próximo, habilidade para lidar com as emoções alheias, a empatia, saúde mental e saúde do seu corpo nunca ficarão obsoletas.
Dedique-se a educar os líderes da sua organização naquilo que é perene, ou seja, naquilo que nunca deixará de ser um valor humano conectado com a preservação da vida e com a melhoria da qualidade de vida.
Seguem algumas sugestões.
Independente do potencial individual, cada ser humano possui uma capacidade intrínseca de aprender. Portanto, confie nesta capacidade.
Ensine seu líder a abordar pessoas expostas à situações de risco de maneira educada e que esteja direcionada e focada na intenção de analisar a atividade e o risco.
Mostre ao seu líder como falar brevemente sobre os principais temas relacionados à segurança da sua organização. Comece explicando os conceitos relacionados à análise de riscos, controle de riscos, permissões de trabalho e gestão de EPI. Sim, comece pelo básico. Evolua para outros temas quando o líder pedir.
Por último, seja parceiro do líder da sua organização. Por mais falta de compromisso que ele tenha, por menos conhecimento que ele tenha em segurança, por mais que o líder goste de culpar pessoas e por mais que ele fuja das responsabilidades em segurança, é com ele que você pode contar. Se não for “com ele”, não será “sem ele”. A isso, chamamos profissionalismo.
Ótimo! Texto fantástico e inspirador!