As pessoas são o principal ativo de uma empresa?
- 25 de ago. de 2020
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Atualizado: 8 de out. de 2020
No início de fevereiro, o Flamengo aceitou pagar R$ 11 milhões por um jogador. Nessa mesma época o clube ofereceu uma indenização para as famílias dos rapazes que morreram no incêndio do CT de cerca de R$ 6 milhões, somando um salário mínimo por 10 anos e mais R$400 mil para cada família. É isso: 10 meninos valem R$6 milhões e 1 jogador profissional vale R$ 11 milhões.
É muito natural e louvável que uma organização tente expressar sua estima pela qualidade de vida, saúde, bem-estar e alta performance de seus empregados através de frases como “as pessoas são nosso principal ativo”. Eu sempre me pergunto se realmente são.
Não estou sendo romântico e nem míope com os significados, pois está claro que o que desejam dizer é que as pessoas são a melhor parte da empresa em termos de produção de resultados e que, justamente por isso, as organizações cuidam desse “ativo” (as pessoas) da melhor forma possível. Não há nenhum problema nisso. Eu não me sinto mal com a referência às pessoas como “ativos”.
A palavra “ativo” vem do inglês asset e se refere a tudo aquilo a que se pode atribuir valor financeiro e que produz resultados. Nenhum problema, também, em usar uma licença poética e se referir às pessoas como assets.
Motivado por baixos custos de produção e/ou mão de obra, existiu, no passado, um movimento bastante forte de levar fábricas para a China, Índia e até mesmo para o nosso Brasil. Ainda não é uma tendência, mas já se percebem movimentos pontuais de organizações que estão transferindo suas operações para suas origens.
Fico imaginando um cenário em que custo de pessoal já não é um diferencial competitivo em função da robotização e do advento da indústria 4.0. Some-se a isso o sentimento nacionalista que toma conta de muitas nações desenvolvidas.
Se uma tendência de transferência de operações para seus países de origem se estabelecer porque a necessidade de trabalhadores baratos e em grande quantidade não é mais uma necessidade, qual será o discurso em relação às pessoas?
Em um cenário assim, teremos um novo discurso parecido com algo como: “os robôs que substituíram as pessoas são o nosso principal ativo”.
Cuidar de pessoas deve ser um VALOR, VALORES são perenes e não mudam facilmente. Cuidar de um ativo é prioridade e prioridades mudam do dia para a noite.